8/14/2006

ESTRANHO...ESTRANHO AMOR

" Eram três horas e um fatal fulgor
Havia em cada estrela resplendente,
Quando surgiu Amor subitamente,
Cuja essência lembrar me dá horror.

Alegre Amor me parecia, tendo
Meu coração ; e nos seus braços ia,
Envolta, minha amada adormecendo

Quando a acordou, do coração ardendo,
Medrosa, Humildemente ela comia;
E ele chorava, desaparecendo "

( Dante Alighieri)


Meus caros, quero me desculpar mais uma vez pelo atraso.
Nesse meio tempo, aconteceram fatos muito engraçados.
Escapei dos tiranos do exército, fui vítima de um golpe
telefônico. Nos últimos dias,não estava conseguindo
escrever. Sofro de uma crise de inspiração...

Recentemente, fiz leitura de alguns sonetos de Alighieri.
Gosto do estilo dele e, principalmente, do livro " Vida nova" .

No primeiro soneto,Dante tem uma visão assustadora de sua
dama morta, nos braços de um monstro. Ironicamente, intitula-o
de "Amor".Um monstro disfarçado, através de um sentimento não
correspondido.


Todos teremos destinos parecidos: um encontro com este monstro
chamado Amor. Em seus braços, carregará a razão de sua deplorável
existência. Chorando, a dama portará um coração mórbido e maldito.
Desaparecerá aos poucos. Num dia, numa tarde ou numa noite... ela
desaparecerá. Sem rastros ou vestígios... ela desaparecerá.

Na noite escura, suas lágrimas são derramadas por alguém, que
nunca iria fazer o mesmo por você. Em seu desprezo, ela o ignora
de todas as formas e maneiras. Tudo se acaba quando algo se inicia.
Uma doce ilusão te faz contemplar a imagem de sua dama, sendo
carregada por um mosntro chamado Amor. O pior dos monstros,
sem dúvida, contra ele não existem reações opositoras.

Ouvindo Nirvana, Carla Bruni, Placebo. Mais uma noite se acaba. Nas
batidas ou nas doces cordas de violão, nossas vidas são levadas aos
poucos. Segunda-feira... um dia que nunca entenderemos ao certo,
mas ele sempre estará aqui.


Foto do dia: Continuando a sessão do copo