9/30/2006

GRAMA, NOS SERVIRÃO GRAMA ...

"Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.
A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores
Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei! "

(Augusto Frederico Schmidt)


Ressurgindo das cinzas. Acordando para o nada. Fugindo da solidão. Abraçando a esquizofrenia. E se pudesses ver o monstro por trás do espelho? O que dirias diante de seu oculto revelado? E se pudesses entender sua criação doentia? E se pudesses descobrir o segredo da vida? O que dirias, diante de fatos... revelações. O que dirias?

Gotas de tinta, solitárias e únicas. Gotas, caindo sobre um quadro vazio. Gotas, meticulosas gotas de tinta. O tudo e o nada são seus dependentes. Medíocres gotas que sempre deixam suas marcas... Suas formas. Apresentam um paraíso diante do penhasco esquecido. Gotas, porção pouco considerável diante de uma pintura completa.

Chopin está tocando suas melancólicas músicas. A noite está chegando, seu medo está sendo despertado. Sempre o mesmo rosto refletido em diferentes lágrimas. As pesadas teclas do piano ainda tocam. Eis que a razão dormirá um humilde sono. Um sono sem tempo. O infinito se apresentará diante de nós, o que diremos para ele?

A chuva cai sobre o gramado verde. Ela corre alegremente, sem se importar com a vida. Apenas corre, para o inexistente... para o eterno. Flores amarelas ocultam a realidade dos fatos. Os campos verdes apresentam um passado chamado "futuro". As flores escondem suas lágrimas diante do óbvio. São mentirosas, são fantasiosas. São retratos dos sentimentos humanos.

Sobre a linha tênue do límpido e do ambíguo levamos nossas vidas. Como descobrir seus sentimentos? Como demonstrar os meus? Será que amores do passado se reencontrarão no futuro? Como poderemos diferenciar a montanha do abismo? Hipnóticos, os olhos serão sempre hipnóticos.

Meus caros, sei que não estou atualizando o meu blog com freqüência. Peço minhas desculpas. Hoje quis escrever coisas sem sentido. Apenas quis escrever, precisava atualizá-lo. Existem momentos primorosos e outros ruins, acho que todos os dias são assim. Tento retratar um pouco disso em meus textos. Não escrevo bem, apenas escrevo pela alegre sensação de ver as palavras se formando.

Quero deixar um forte abraço para todos. Nesse Domingo teremos um prato especial. Grama, nos servirão grama. Espero que todos tenham um bom apetite. Sei que vai ser impossível mas querendo ou não, teremos grama no almoço.

Foto do dia: Tirei essa foto na cidade de Maricá, acho que ela combina perfeitamente com o prato de amanhã.



9/10/2006

TARDE PERFEITA, PESSOAS NORMAIS

"Um início de tarde formidável. Estúpidos pássaros anunciavam uma tarde perfeita para pessoas normais. Ao som do mar, tinhamos certeza de que tudo se acabaria. Seus beijos eram os melhores por serem os últimos. Ela caminhava pela areia como se tudo fosse bonito, como se o céu estivesse azul, como se o jardim estivesse florido.

As águas molhavam seu vestido estampado de flores. Fechava os olhos tentando contemplar o infinito, que se apresentava no perturbador ruído do silêncio. Sobre a areia quente , suas lágrimas de desespero eram derramadas.
Tudo se acabaria ali, em frente ao mar. Chorava e dizia-me:
" Prepare seu melhor vinho, vamos dormir aos pés do mar".

Seus olhos, relutantes em me dizer algo, apenas se escondiam atrás de uma tristeza inteligível. Abri o vinho e nos servimos. Brindamos a vida. Nossa história. Nosso passado. O amor. O futuro iminente.
Nos dirigimos ao mar, beijei-a pela última vez e nos despedimos rumo ao eterno. Degustamos aquele amargo vinho. Nos olhamos mais uma vez .Tudo se acabou. Por fim, as ondas anunciavam o término de uma tarde perfeita para pessoas normais. "


Algumas matérias repetem as inúmeras cenas daqueles aviões derrubando as torres. Por que não mostrar também a miséria na África? As vítimas das guerras do Afeganistão e Iraque?
Vítimas, senhores. Vítimas de um sistema. Vítimas de um império chamado E.U.A e de um imperador chamado George W. Bush.
Não sou favorável aos ataques ocorridos no dia do aniversário do Moby, mas também não concordo com as inúmeras vítimas desse sistema imperialista.
Aonde você estava há cinco anos atrás? Pergunta interessante, não? Eu estava no colégio. Mas não me lembro de detalhes.

Gostaram do texto? Eu também não entendi nada.
O final pertence a vocês. Eu tenho um final em minha cabeça. Eles acordam depois de lembranças tristes e decidem terminar um relacionamento frustado. Tudo era uma despedida, cada um viveria sua vida tentando esquecer o outro.
Sei que muitos de vocês pensaram em morte, como disse, vocês decidem o fim. Não pensei nisso, mas criei uma história com finais alternativos. Você são os roteiristas. Façam um bom roteiro.

Platônicos. Tão óbvios os complicados platônicos. Platônicos de infância. Platônicos de juventude? simplesmente platônicos... amores platônicos.
Sentimentos ocultos revelados ocultamente. Uma doce sexta. Músicas românticas, frases românticas.
Realidades mórbidas reveladas em um medíocre domingo. Em nome da maldita cordialidade, palavras de incentivo. A verdade é muita clara: Você é um invisível agora.

A noite chega, e eu tenho que ir embora. Desejo um boa semana para todos vocês , que acompanham o meu blog. Poucos leitores, mas leitores fiéis.

Foto do dia: Eu amo essa foto. Foi tirada por Henri Cartier, na minha opinião um dos maiores fotógrafos que o mundo já teve. Achei que ela combinava com o conto do início.