11/23/2006

REALIDADES INEXISTENTES

"Porque nada sou, nada conto e nada tenho.
Porque sou um grão de poeira perdido no infinito. "

(Augusto Frederico Schmidt)

As chuvas se foram. As solitárias noites de novembro me assustam. A realidade é sempre muito complexa, se apresenta com fatos e proporções irrefutáveis. Enquanto o mundo caminha, você se perde em uma noite eterna.

Somos a ignorância de uma doença. A normalidade dos tempos perdidos. Você contempla as nuvens de seu próprio céu, será que elas realmente existem? Seus olhos extraviam-se para o infinito. Moscas residem em sua alma adormecida. Tudo está dissipado, mas você prefere a realidade das nuvens.

Os pássaros não cantam mais. As ruas abrigam sua solidão. As pessoas te ocultam, você se oculta. A realidade nunca será encontrada, foi morta por nós. Sempre seremos os mesmos. Nas maternidades ou nos cemitérios, sempre os mesmos. Humanos, estúpidos humanos, em busca de alguma progressão.

Mas você ainda acredita em algo. As juras de amor serão eternas, porém, insidiosas. Nada existe, tudo é uma ilusão. Existimos porque acreditamos nisso. Somos frutos de um interminável deserto. Somos miragens atrás de alguma razão. Somos o passado e suas lembranças. Somos o esquecimento e os segredos escondidos por ele.

Hoje, eu não estava muito inspirado para escrever. Na verdade, perdi todos os meus documentos. Estou, aos poucos, escrevendo novos textos. Essa semana não foi muito produtiva, prometo que voltarei com mais coisas. Boa noite, meus amigos.

Foto do dia: Achei algumas fotos do Robert Doisneau. Estou colocando a primeira delas.

11/13/2006

NOVIDADES PASSADAS

"Não, não quero o meu sonho sepultado
No cemitério da Desilusão,
Que não se enterra assim sem compaixão
Os escombros benditos de um Passado!"

(Augusto dos Anjos)

A televisão está ligada, no fundo, alguma banda de jazz tocando. No computador, sempre, os velhos discursos de Roland Barthes. Na rua, o vazio de uma noite escura. Não procure luz, os postes estão queimados.

Existe novidade no antigo? Existe presente no passado? Ou passado no Presente? Ainda acredito em futuro no passado. As ilusões ficaram no passado, as realidades se apresentam no presente. O futuro, como sempre, é uma incógnita. Futuro, o misterioso futuro.

Novembro, o que posso dizer desse mês? Realmente, não sei. O mais difícil é vê-la passando por mim. Sou um desconhecido para aquela que mais amo. O desconhecer me devora. Seria ignoto ou ignorado? O futuro tem as repostas certas.

Tragam-nos os velhos anúncios de carros antigos. Eles ilustram a vida, eles nos fazem viver. O passado vivendo o presente. Inexistente força que nos absorve, aonde estará você?

A chuva parou. Eu disse que estava chovendo? Não, mas você sempre soube disso. Enfim, ela parou.

Meus caros, vou indo. Hoje não quis comentar sobre as eleições, preferi escrever as minhas frases malucas, haha. Tenham uma boa noite.

Foto do dia: "O novo Citroën"