12/25/2006

HÓSTIAS E OPLATEKS

"Ela se sentia sozinha, mas escutava passos em sua escada. Era noite de natal. As luzes brilhavam, mas as árvores continuavam escuras.

Desesperada, observava os velhos retratos em sua parede branca. Um súbito vazio invadia seu coração, naquele momento, a realidade visitava seu perturbador presente.

Tudo poderia estar normal, porém, não era uma noite qualquer. Era uma noite de natal. Não existiam presentes, não existiam pessoas. Apenas ela e os passos em sua escada.

Nada disso poderia ser real. Talvez frutos da solidão, ou de alguma esquizofrenia inconsciente. Suas lágrimas eram frias, assim como seu coração abandonado. Foi lhe tirada a razão, e nem as moscas lhe restavam.

Seu medo era constante. Sua mente era confusa. Sua solidão era obtusa. Sua alma era errante.

O despertador toca, mas ela não estava dormindo. Estava sozinha, mas era natal. E, apesar de estar sozinha, escutava passos em sua escada."

Escrevi esse conto no dia 23. Estava sem muita criatividade, por isso, ele ficou meio incompleto. O meu natal foi legal, foi diferente dos anteriores, mas acho que foi bem legal.

Ia escrever algumas coisas sobre o natal, mas não tive muito tempo. Gosto da tradição polonesa, principalmente, o momento do oplatek. É uma espécie de pão (parecido com a hóstia) , serve para uma comunhão entre as pessoas. É um ritual muito bonito.

Provavelmente, essa deve ser minha última postagem. Desejo um feliz ano novo para todos vocês, muitas felicidades e conquistas!

Duas da manhã. Acabou o natal. E, entre hóstias e oplateks, eu prefiro o vinho.

Foto do dia: "The Cellist"- Robert Doisneau