4/03/2007

CINZAS DE OUTONO

"O rio perdera o brilho, estava embaciado e frio. Tudo, tudo lembrava a aproximação do melancólico e sombrio Outono."
(Anton Tchekhov)

"No fundo de teus olhos ardiam os crespúsculos.
Folhas secas de outono giravam na tua alma."
( Pablo Neruda)

Não estamos certos de nada, a única certeza é o inevitável fim . Vivemos sobre a ambígua vigilância do ilusório. Nossas vidas são peças escritas, pré-definidas, mas sempre sonhamos com uma estréia insólita. Pensamos na modernidade, mas não conseguimos nos desfazer do glorioso passado. O que há de diferente em algo tão comum? Talvez uma deformidade desprovida de interesses.

E éramos ratos desamparados, fugitivos da vida. Nos abrigávamos nas falsas promessas da ilusão. Filhos de uma existência esquecida , militantes de uma revolução imaginária. Oscilávamos entre o imprevisível e o premeditado... Entre amores e infelicidades... Entre anjos e fantasmas.

Seus olhos eram o retrato do inebriante. Seu sorriso, um passaporte para o desconhecido. Suas decisões eram o motivo de minhas lágrimas. Mas, de fato, ela nunca existira... Era apenas mais um fantasma.

E nos lembramos do outono. Todas as vidas eram como aquelas folhas secas, muito em breve, todos teríamos o mesmo destino. O futuro igualava o pretérito. A Realidade era a mais pura ilusão. Viver era o maior dos suicídios.

O outono e suas folhas secas. Únicas, perfeitas, incompreensíveis.


Imagem do dia: Autumn Landscape with Four Trees - Van gogh